4blue-Logo white

Eleições 2026: o que muda para as pequenas e médias empresas com Lula reeleito

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno das eleições 2026 no domingo, 25 de outubro, e vai para o quarto mandato. Uma parte do país acordou comemorando e a outra, frustrada. O empresário, de qualquer um dos lados, acordou com a mesma pergunta: o que as eleições 2026 mudam para empresas como a minha?

A resposta curta é menos dramática do que parece nas redes sociais. Boa parte do que vai mexer no caixa das PMEs em 2027 já estava aprovada antes de a urna abrir. A resposta longa vem a seguir, junto com o que dá para fazer já na próxima segunda-feira.

  • Resposta rápida: Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). Para as pequenas e médias empresas, as eleições 2026 deixam um 2027 com quatro mudanças já contratadas. A CBS da reforma tributária começa em 1º de janeiro. A jornada máxima cai para 40 horas semanais. Dividendos acima de R$ 50 mil por mês pagam 10% de IR. E a Selic segue alta, em 13,75% ao ano. Quem atravessa melhor esse cenário é quem conhece o próprio fluxo de caixa.

Resultado das eleições 2026 em números

Na verdade, foi uma das disputas mais apertadas da nossa história recente. A diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro ficou em cerca de 4,4 milhões de votos, segundo o balanço do TSE.

Mais de 128,2 milhões de eleitores foram às urnas. Além disso, a abstenção ficou perto de 19,2%, de acordo com o Portal MPA. Geraldo Alckmin (PSB) também segue como vice-presidente.

O mapa também mostra um país dividido. Em São Paulo, por exemplo, Flávio venceu no estado, com 53,85% dos votos válidos, enquanto Lula ganhou na capital, com 55,5%, conforme o TRE-SP. Na prática, para as empresas, o recado das eleições 2026 é que metade dos seus clientes, fornecedores e colaboradores votou diferente da outra metade. Vale lembrar disso antes de transformar o grupo da empresa em palanque.

O que já estava decidido antes das eleições 2026

Isso quase ninguém comentou na noite de domingo. As três mudanças que mais pesam no caixa das empresas em 2027 não dependiam do resultado das eleições 2026. Todas passaram pelo Congresso antes do segundo turno.

Reforma tributária. A Emenda Constitucional 132, promulgada em dezembro de 2023, redesenhou a tributação sobre o consumo. Ou seja, o cronograma já estava em andamento e segue valendo.

Fim da escala 6×1. O Senado aprovou a PEC em 14 de outubro, em dois turnos, por 75 votos a 1, segundo a Agência Senado. Assim, ficou claro que o tema não tinha um dono só.

Tributação de dividendos. Desde janeiro de 2026, a distribuição de lucros acima de R$ 50 mil por mês, por empresa, passou a ter 10% de IR retido na fonte, conforme a Lei 15.270/2025.

O resultado da eleição muda o tom do debate econômico e a confiança do mercado. Mas as regras que vão bater na sua planilha em janeiro já estavam escritas. Por isso, as empresas que passaram a campanha esperando as eleições 2026 para decidir alguma coisa perderam tempo.

O cenário econômico depois das eleições 2026

Passadas as eleições 2026, o mercado não espera um 2027 fácil para as empresas. No Boletim Focus de 13 de outubro, a projeção de crescimento do PIB ficou em 1,85% para 2026 e em apenas 1,40% para 2027. Além disso, a inflação de 2026 subiu para 5,22%, na quarta alta seguida.

Os juros caem, mas devagar. Em setembro, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. A próxima reunião está marcada para 3 e 4 de novembro. Ainda é dinheiro muito caro para quem depende de banco para fechar o mês.

E, de fato, muita gente já depende. Em agosto, o Brasil chegou a 9,3 milhões de empresas inadimplentes, alta de 14,3% em um ano, segundo a Serasa Experian via Poder360. Desse total, 8,8 milhões eram micro e pequenas empresas, com R$ 211 bilhões em dívidas.

Esse número pesa porque, com ou sem eleições 2026, as pequenas empresas são a economia real do país. São cerca de 24 milhões de pequenos negócios, 95% das empresas em funcionamento e 26,5% do PIB. No primeiro semestre de 2026, elas abriram 543,5 mil dos 921,6 mil empregos formais criados no Brasil.

5 mudanças que vão mexer no caixa da sua empresa em 2027

Depois das eleições 2026, as empresas entram em 2027 com cinco mudanças que pedem conta feita agora, e não em janeiro.

1. A reforma tributária sai do papel

Em 1º de janeiro de 2027, entra em vigor a CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços, que substitui o PIS e a Cofins. A alíquota ainda não foi definida, e essa é justamente a parte que tira o sono de muito contador.

O Simples Nacional continua existindo. A novidade é que a empresa optante pode recolher IBS e CBS fora da guia única, o que pode fazer sentido para quem vende para outras empresas e quer gerar crédito ao cliente. Porém, quem presta serviço precisa de atenção redobrada: esse tipo de empresa costuma ter menos compras que geram crédito do que a indústria e o comércio.

Na prática, o reflexo mais direto está no preço. Se o imposto muda, o preço que você cobra hoje provavelmente já está errado para 2027. Se você nunca fez essa conta com calma, comece pelo nosso eBook de precificação de produtos e serviços.

2. A jornada cai para 40 horas, sem redução de salário

A PEC aprovada pelo Senado reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso. A transição tem duas etapas: 42 horas dois meses após a publicação e 40 horas um ano e dois meses depois.

Ou seja: quatro horas a menos pelo mesmo salário deixam a hora trabalhada cerca de 10% mais cara. Para comércio, restaurante e serviços que funcionam no sábado, isso significa redesenhar escala, revisar a necessidade de contratação e, de novo, mexer no preço.

Por outro lado, tem uma oportunidade aí. No dia da votação, o senador e empresário Vanderlan Cardoso contou que já tinha acabado com a 6×1 nas suas empresas e viu mais oferta de mão de obra e mais produtividade. Quem se organiza antes transforma custo em argumento para contratar e reter gente boa.

3. Dividendos e pró-labore precisam de uma nova conta

Desde janeiro, dividendos acima de R$ 50 mil por mês, pagos pela mesma empresa à mesma pessoa física, têm 10% de IR retido na fonte. Ao mesmo tempo, quem ganha até R$ 5 mil por mês ficou isento do Imposto de Renda.

Por isso, para o sócio que vivia de distribuição de lucro, vale revisar o equilíbrio entre pró-labore e dividendos com o contador. A nossa planilha de cálculo de pró-labore ajuda a chegar nessa conversa com números em mãos.

4. O crédito continua caro

Com a Selic em 13,75%, financiar a operação com cheque especial ou capital de giro bancário segue sendo uma das formas mais rápidas de destruir margem. Nos dados da Serasa, uma parcela importante da inadimplência das empresas está ligada justamente à sustentação do capital de giro.

Em outras palavras, muita empresa não está pegando dinheiro para crescer, e sim para pagar as contas do mês. Isso não é problema de juros. É problema de gestão de caixa.

5. Um consumidor com um pouco mais no bolso

Porém, nem tudo aperta. A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, com redução gradual até R$ 7.350, deixa mais renda na mão de boa parte da população. Para negócios que vendem para o consumidor final, essa é uma janela de demanda que vale planejar, desde que a margem esteja certa para aproveitar.

O que nenhum governo vai resolver por você

Tem empresa que cresceu em todos os governos. Mas também tem empresa que quebrou em todos eles. Se o presidente fosse o fator decisivo, essas duas listas não existiriam ao mesmo tempo.

Afinal, a gente fala isso com alguma bagagem. Em julho de 2009, Renan Kaminski e Aleksander Avalca deram o primeiro passo do que viria a ser a 4blue com R$ 49,80 investidos em cartões de visita. De lá para cá, o Brasil passou por quatro presidentes diferentes, crise, pandemia, juros de um dígito e juros de dois dígitos. O que separou as empresas que atravessaram cada fase das que ficaram pelo caminho quase nunca foi Brasília.

Na verdade, foi gestão. Mais especificamente, quatro coisas que nenhum decreto entrega:

  • saber quanto entra, quanto sai e quanto sobra, sem precisar abrir o aplicativo do banco;
  • cobrar um preço que paga todos os custos e ainda deixa lucro;
  • ter reserva para não depender de crédito caro no primeiro imprevisto;
  • tomar decisão com número, e não com o humor do noticiário.

O governo define as regras do jogo, mas quem joga é o empresário. Isso vale para as empresas de quem comemorou e de quem lamentou as eleições 2026. E quem conhece os próprios números joga melhor do que quem passa os próximos quatro anos reclamando do juiz.

Como preparar sua empresa para 2027: checklist em 8 passos

Este é o roteiro para as empresas se ajustarem ao cenário que sai das eleições 2026, sem fórmula mágica e sem esperar Brasília. Dá para começar ainda em novembro.

  1. Separe o dinheiro da empresa do seu. Enquanto as contas estiverem misturadas, nenhum número da empresa é confiável. Defina um pró-labore e pare de pagar despesa pessoal pelo CNPJ.
  2. Coloque o fluxo de caixa de pé. Registre cada entrada e cada saída, por categoria.
  3. Descubra seu ponto de equilíbrio. É o faturamento mínimo para a empresa não dar prejuízo. Com folha e impostos mudando, ele vai mudar também.
  4. Refaça a precificação pensando em 2027. Inclua a nova jornada, a CBS e a sua margem real.
  5. Simule a folha com a jornada de 40 horas. Veja quantas horas a operação realmente precisa e onde a escala vai apertar, antes que a regra chegue.
  6. Corte o que não gera resultado. Em ano de juro alto, cada real parado em despesa inútil faz falta no caixa.
  7. Monte uma reserva e projete os próximos 12 meses. Afinal, reserva é o que separa a empresa que negocia da empresa que implora prazo ao banco.
  8. Faça o planejamento estratégico de 2027. Com os números organizados, defina metas, prioridades e responsáveis.

Perguntas frequentes sobre as eleições 2026 e as empresas

O que muda para as pequenas e médias empresas com a reeleição de Lula?

As principais mudanças de 2027 já estavam aprovadas antes das eleições 2026 e valem para todas as empresas: a CBS da reforma tributária, a jornada máxima de 40 horas e a tributação de dividendos acima de R$ 50 mil por mês. O resultado das urnas influencia o ambiente econômico, os juros e a confiança do mercado, mas não altera esse calendário.

O Simples Nacional vai acabar com a reforma tributária?

Não. O Simples continua. A partir de 2027, a empresa optante pode escolher recolher IBS e CBS dentro da guia única ou por fora, no regime regular, o que pode gerar crédito para clientes empresariais.

Quando começa a CBS?

Em 1º de janeiro de 2027. Ela substitui o PIS e a Cofins, e até agora o governo não definiu a alíquota.

Quando a jornada de 40 horas passa a valer?

O Congresso promulgou a emenda em outubro de 2026. A jornada cai para 42 horas dois meses após a publicação e chega a 40 horas um ano e dois meses depois, sem redução de salário.

Dividendos pagam imposto em 2026?

Sim. Desde janeiro de 2026, dividendos acima de R$ 50 mil por mês, pagos pela mesma empresa à mesma pessoa física, têm 10% de IR retido na fonte.

Qual a melhor forma de preparar a empresa para 2027?

Depois das eleições 2026, o caminho para as empresas passa por quatro passos. Organizar o fluxo de caixa, revisar a precificação com os novos custos, montar uma reserva e planejar o ano com números reais.

Depois das eleições 2026, o futuro da sua empresa é com você

Para as empresas, as eleições 2026 já ficaram para trás, e daqui a quatro anos tem outra. Até lá, o país vai discutir juros, inflação, Lula, Flávio e muita coisa que você não controla.

O que você controla cabe numa planilha: quanto entra, quanto sai, quanto sobra e o que fazer com o que sobra. É pouco para mudar o Brasil. Porém, é exatamente o que muda o destino de uma empresa.

Se a sua empresa ainda não tem esses números na ponta da língua, 2027 é o ano de resolver isso. E a melhor porta de entrada está chegando.

Em novembro, na Black Friday da 4blue, vamos liberar acesso vitalício à metodologia completa que usamos com empresas de todo o Brasil: gestão financeira, gestão de pessoas, processos e vendas, além de encontros ao vivo. Assim, você paga uma vez e tem acesso para sempre, sem renovação. É a nossa oferta mais completa do ano! Aproveite!

https://cont.4blue.com.br/black-friday-vitalicia-bc-lpa/ 

Facebook
Pinterest
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *